quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Geração Saúde

Escute minhas palavras, meu amigo...

Você nasceu em um mundo onde não teve a chance de ver os Beatles, os “Whos”... Apenas alguns “Stones”, com quilômetros de rugas fazendo curvas dos olhos aos narizes. Túneis fundos de histórias...

Nesse seu mundo, as drogas são consideradas pela ciência como coisas ruins; a Jovem Guarda é motivo de piada - e você não se dá ao direito de ao menos praticar um vício? - A nossa geração sofre problemas para se relacionar - ou será que nós nos relacionamos demais? - pois existe uma cartilha a ser cumprida antes de fodermos uns aos outros. Só umas metidas e algumas gozadas... Não precisa tanto ritual para se alcançar esse objetivo.

O cigarro, que antes era a simples futilidade estética de nos dar “poder” entre os dedos, agora é um vilão que nos prende como o diabo. Aliás, atualmente, ele é um dos demônios que destrói nossa santa civilização.

(E convenhamos que até o 007 era mais charmoso e comia mais mulheres.)

Os clássicos da literatura eram pornográficos; não tinham pudor... Eram como nós, eram Nelson Rodrigues e Sérgio Porto. Ficamos a querer mais, e é isso que podemos produzir: apenas papel velho que conta histórias que não vivemos, e esses papéis rasgam, amassam... Ou, ainda, são reciclados e daí temos, por obrigação, de reescrever por cima da história.

Temos de dar a desculpa de que somos puros e saudáveis reescrevendo, passando uma borracha por cima da história que deveria nos apoiar para sermos o futuro. A manipulação é assim: eles tiram nossas drogas, nossos remédios, nossos vícios e nosso rock’n roll... Até nossas ressacas do dia seguinte estão tentando tirar de nós. Então, quem nós seremos sem poças de vômito? Sem uma festa na qual você acorda ao lado da última pessoa que você conheceria no mundo inteiro. E pasmem: vocês estão nus!

A humanidade involuiu. Hoje nos preocupamos com o corpo; malhação é auto-masturbação. Nós somos a geração de recusados. Nossa cocaína é misturada: não existe mais nada puro nesse mundo. Tiraram-nos o "quê que eu fiz?" e mais: resolveram mandar-nos repetir que as drogas matam. Façamos as contas de quantas pessoas se drogam e quantas morrem de overdose.

(E você, meu amigo, ainda não se permite deixar-se dominar por um vício? Vamos, eu te pago uma cerveja!)

Ainda queremos foder a filha dos outros e por que não ser fodidos por elas? Mas realmente precisamos fingir que as amamos? Ou aceitar que elas nos amam? O pior é que quando citado, nós acreditamos e somos forçados a gostar de acreditar.

Eu prefiro uma boa carreira na barriga de uma japonesa nua. Mas nós nunca vamos recuperar o que perdemos. Afinal, fazemos parte da geração saúde.

Pobres de nós... E imagine o que será de nossos filhos.

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