quarta-feira, 3 de junho de 2009

Matrimônio


Casamento, a instituição mais cara já criada pelo homem.
Tudo começa com um encontro, pode ser marcado ou casual, depois
um segundo encontro ou um terceiro para ver se o sexo é compativel;
passado isso entra a zona de adaptação, o namoro, o momento
em que teoricamente se analisa a outra pessoa para ver se ela está apta para o casamento - viaja-se junto, divide-se todo o tempo livre com a outra pessoa, livre porque
no resto do tempo se trabalha para preparar o futuro com a essa pessoa,
Sonham então em ter a casa própria, enorme, com vários quartos e uma área
grande para os filhos brincarem. E que venham os filhos, geralmente deseja-se um casal,
entáo escolhe-se junto, embaixo da coberta o nome deles, uma briga amigável pelos nomes
que termina em sexo...sexo que depois de um tempo se torna mais um ato
de intimidade do que de amor.
Você pode peidar embaixo da coberta e cobri-la que ela vai achar nojento,
mas o seu nojento é lindo para ela, o amor de vocês dois é inesgotável.
Até que chega o grande dia, reúne-se a familia dela e entáo se pede
sua mão em casamento. Beijos e abraços, congratulações, primos que já
a comeram te felicitam com o olhar de "já comi", mas você não liga...ela aceitou
ser o amor da sua vida para sempre, vocês vão juntos até que a morte os separe, e só ela
tem poder para isso sobre o novo casal de noivos.
Ai vem a preparação para o grande dia, começa entáo a soma de valores: festa + igreja + roupas dos padrinhos + vestido da noiva + lua de mel + entrada no apartamento que será o ninho de amor eterno dos dois = horas extras e finais de semanas perdidos para se manter o nível do relacionamento enquanto os dois namoravam. As expectativas são sempre grandes.
Despedida de solteiro, ela vai com as amigas que compram para ela produtos de sex-shop e se acham as pessoas mais pervertidas do mundo ao dizerem o que fariam com isso enquanto bebem duas latas de cerveja e já se encontram completamente bêbadas. Ele vai com os amigos para algumas festa no qual duas ou três mulheres semi-nuas esfregam peitos enormes em sua cara e derramam bebida por todo o seu corpo, para finalmente levarem-no para o quarto e o limparem com a boca e o que mais for necessário...o homem diz a si mesmo que é assim que ele se despede da liberdade, nesse momento ele assume que está entrando numa prisão.

Então porque ele decidiu casar?

O dia do casamento é sempre lindo, padrinhos e madrinhas se pegando pelos cantos, o pai da noiva bêbado falando que está feliz que sua filha não ficou pra titia que ninguém quis comer, e que está sentada do lado dele totalmente desconfortável. A mãe falando para as amigas o quanto eles gastaram só para fazer o arranjo de cada mesa, e sempre aumentado por três.
Os dois lindos e apaixonados, dançam juntos e constantemente dizem que se amam, ao pé do ouvido, baixinho como se o resto do mundo não existisse, é o ponto alto do amor.
E lá vão eles para a lua de mel, que nada mais é do que motivo para trepar o dia inteiro, com breves intervalos para comer e outras necessidades.
Volta-se para casa e começa a jornada do "até que a morte os separe", todo final de semana um jantar fora, um almoço na casa dos pais e uma reunião com os amigos no domingo.
O futebol de terça rola feliz enquanto ela espera ele chegar ansiosamente em casa suado e másculo a ponto de pegá-la no colo e leva-la para a cama.

É lindo estar casado.

E vem o primeiro filho, o coisa mais linda que os dois já viram e fizeram, o amor se concretizou. Vão entáo para casa e percebem que a noite não dura mais tanto tempo, que o sono vira uma raridade, a preocupação aumenta junto com as despesas mensais - quem poderia prever que fraldas são artigos tão caros? -, mas eles começam a se adaptar, e o amor vence novamente, é o começo da familia, o que eles procuraram desde o tempo em que namoravam.
Mas então que vem o segundo filho, e com isso as contas dobram, a mãe percebe que terá que largar o emprego pois ela não quer ser uma estranha para os seus filhos, quer ser a tutora de sua criação, o pai sem nada poder fazer concorda e começa a trabalhar dobrado, chega em casa tarde da noite, nas sextas chega um pouco alto pois passou no bar com os amigos do trabalho para relaxar.

Relaxar da vida de casado que começa a pesar sobre seus ombros e faze-lo questionar sobre os conceitos de liberdade.

As brigas se tornam constantes, o choro dos filhos irrita, o silênco dentro de casa se torna algo raro, ela o culpa por não entender o quanto ela se esforça em casa para manter o casamento funcionando, e ele rebate dizendo que amor somente não pôe comida na mesa, e se ela tem condições de manter o casamento funcionando é porque ele trabalhar que nem um corno...o suficiente para ela falar que é o que ele acabará sendo se isso continuar assim.

Vem então o grande momento, quando a instituição se estabelece como negócio - o divórcio.

Separação de bens, guarda dos filhos, o amor se transformando em desamor, brigas constantes por telefone, os dois não querem mais se ver. Não entendem como puderam ficar tanto tempo juntos, o amor se transforma em ódio, o ódio vira um trauma nos filhos que tentam melhorar o desempenho na escola enquanto os pais travam a terceira guerra mundial.

O amor descobriu que o casamento é o seu pior inimigo.

Beto was shot at 11:01